erasmo de rotterdam disse "cavalo"
compraria e pagaria só pela dentadura por pura birra do ditado; aí eu cavalgaria uma dentadura superfaturada num invólucro de cavalo bem rápido pelo mundo no pocotó, pocotó, pocotó de um samba antigo, cantando em inglês pra que o meu cavalo de herói que agora eu era não me deixasse cantando sozinho mundo a fora.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
esse lirismo desse eu intrometido, que insiste em não sair, estraga tudo. carrega palavras com sentimentos de líquidos que não são sangue, e palavras embriagadas jorram fortes levando uma parte grande demais do todo. e esse pedaço, vomitado um pouco sem querer, dá espaço ao vazio pesado no estômago - o companheiro dos arrependidos e dos envergonhados.
terça-feira, 7 de junho de 2011
ofereci a ti o meu melhor. a fração mais perfeita do mais lindo em mim. toda a boniteza ao meu redor. e tu me engoliste sem notar, no canto do prato redondo de louça barata, o pedaço duro da minha feiúra. e ela foi só o que me restou.
o bom de mim benfazendo em outro corpo enquanto o meu pior dissolvia-me em mim. meio liqüefeita, meio decomposta, mas ainda eu, me ofereço numa incansável utopia ácida de uma certeza que, como tu, me dói na língua e, diferente de ti, não me abandona.
mas, amor, é diferente. ainda te me ofereço, mas toda: bem e mal. a oferta – pegar ou largar! - é um par de mim.
…e bate o martelo.
late update: "se fores bater o martelo, bata com força, que é pra ele(a) se incomodar com o barulho que a tua alma faz" - um anônimo fazendo bonitamente sentido.
o bom de mim benfazendo em outro corpo enquanto o meu pior dissolvia-me em mim. meio liqüefeita, meio decomposta, mas ainda eu, me ofereço numa incansável utopia ácida de uma certeza que, como tu, me dói na língua e, diferente de ti, não me abandona.
mas, amor, é diferente. ainda te me ofereço, mas toda: bem e mal. a oferta – pegar ou largar! - é um par de mim.
…e bate o martelo.
late update: "se fores bater o martelo, bata com força, que é pra ele(a) se incomodar com o barulho que a tua alma faz" - um anônimo fazendo bonitamente sentido.
monocromática
tem segundos que se condensam em momentos tão...tão...
que fazem valer a tinta no papel. e eu sou a tinta no meu papel.
quando os pensamentos escalam minha língua pro lado errado e escorregam esôfago a dentro, eu sou a tinta no meu papel. quando minha boca é caixa acústica de dentes mudos e só, também.
quando a covardia sobra a esses pensamentos, eles escondem-se por entre a harpa da minha garganta no cuidado de sequer tocá-la; e aí eu sou o preto no branco.
da digestão do meu pensamento sem coragem de ser palavra espremo um negror viscoso que me expõe ao branco – do papel – dos olhos de quem queira deitá-los sobre mim. eu escorro pelos meus próprios dedos e me traduzo despudorada em rabiscos cheios de muito que eu nem sei existir em mim - na tua frente. pra ti e por nós.
tem segundos que valem a tinta no papel. tem momentos contigo e conosco que me fazem valer a pena.
e, sem perceber, dançamos entre o pensar digerido e o que foi dito naqueles segundos travestidos no nosso momento e fomos um: tinta, papel, preto e branco.
fomos um cinza sem vergonha. e lindo.
que fazem valer a tinta no papel. e eu sou a tinta no meu papel.
quando os pensamentos escalam minha língua pro lado errado e escorregam esôfago a dentro, eu sou a tinta no meu papel. quando minha boca é caixa acústica de dentes mudos e só, também.
quando a covardia sobra a esses pensamentos, eles escondem-se por entre a harpa da minha garganta no cuidado de sequer tocá-la; e aí eu sou o preto no branco.
da digestão do meu pensamento sem coragem de ser palavra espremo um negror viscoso que me expõe ao branco – do papel – dos olhos de quem queira deitá-los sobre mim. eu escorro pelos meus próprios dedos e me traduzo despudorada em rabiscos cheios de muito que eu nem sei existir em mim - na tua frente. pra ti e por nós.
tem segundos que valem a tinta no papel. tem momentos contigo e conosco que me fazem valer a pena.
e, sem perceber, dançamos entre o pensar digerido e o que foi dito naqueles segundos travestidos no nosso momento e fomos um: tinta, papel, preto e branco.
fomos um cinza sem vergonha. e lindo.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
not my song
she lays down and moans. and moans, and kicks and splashes herself against sheets and cushions and herself again. she dances to silence like no one is watching or sneaking through the key hole, without having a clue how foolish all that is turning out to be. talking towards her throat, as if I was inside her to listen to it. i was not.
so there i was: standing beside her not totally believing what that slightly snobish girl turned into. by then, i was already just watching her lose it. and she lost it.
and i layed beside her trying not to make a noise to wake her up to her moaning, because that sounded like anything but a lullaby.
so there i was: standing beside her not totally believing what that slightly snobish girl turned into. by then, i was already just watching her lose it. and she lost it.
and i layed beside her trying not to make a noise to wake her up to her moaning, because that sounded like anything but a lullaby.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
"se o olho é a janela da alma, então você tem que olhar por essa janela com outro olho e esse outro olho também é janela da alma, e você tem que olhar por essa janela com outro olho. quer dizer: a janela não olha, quem olha é o olho através da janela (...) você vai ao infinito com essa história de janela da alma e nunca chega, na verdade, à própria alma." antônio cícero para o documentário de joão jardim e walter carvalho - a janela da alma (2002).
uma troca de olhares sem sentimento são janelas cegas dispostas paralelamente. só.
seja como for, olho é olho e minha alma não tem esquadria. pode até ter um buraco, mas não uma janela. a alma é o que é, irredutivelmente, como o único que poderia ser, por ser o determinante do que somos. os olhos não.
dos olhos contra a alma
por mais que falem bem mais do que se quer dizer, não são capazes da traição de ceder seus lugares ao rombo que permeia a irredutibilidade de quem se deve ser. não deixam que orbite sob as sobrancelhas, como uma brincadeira de mau gosto, a fraqueza que se é. se cruéis assim forem, no entanto, restará olhar para fora de um buraco vivo e cru, de uma carne etéra, pulsante e revelada, enxergando com a cegueira o mundo que se gostaria que fosse mas talvez não seja.
ou mais ou menos isso.
uma troca de olhares sem sentimento são janelas cegas dispostas paralelamente. só.
seja como for, olho é olho e minha alma não tem esquadria. pode até ter um buraco, mas não uma janela. a alma é o que é, irredutivelmente, como o único que poderia ser, por ser o determinante do que somos. os olhos não.
dos olhos contra a alma
por mais que falem bem mais do que se quer dizer, não são capazes da traição de ceder seus lugares ao rombo que permeia a irredutibilidade de quem se deve ser. não deixam que orbite sob as sobrancelhas, como uma brincadeira de mau gosto, a fraqueza que se é. se cruéis assim forem, no entanto, restará olhar para fora de um buraco vivo e cru, de uma carne etéra, pulsante e revelada, enxergando com a cegueira o mundo que se gostaria que fosse mas talvez não seja.
ou mais ou menos isso.
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