domingo, 2 de outubro de 2011

barreiras idiomáticas entre o interior e a boca fazem da mudez a não-expressão do monólogo que só o interior entende. são infinitilhões de lábios que não produzem um só som, mas movem vidas inteiras - algumas pela metade e outras aos pedaços. e por isso as reais bocas calam sem consentir: por não entenderem os sussurros que vem de dentro.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

ela era como se fosse um resquício; um início -



mal acabado, como se fosse o coração do par que ama mais que o do lado.

ela era como se fosse si, um mi que não estava - um sol sem dó, sem pena nem nota.
ela era como se fosse um você, um eu que não está aqui - e não vive em mim.


ela era como se fosse tudo, só que ao contrário.




segunda-feira, 4 de julho de 2011

expirando de leve o meu calor pra me ver fria e quebradiça escorrendo fora de mim.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

"vontade é bom porque dá e passa."

vontades que dão e passeiam - dão uma volta aos teus redores e voltam a rondar os meus. e esquecem de passar.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

erasmo de rotterdam disse "cavalo"

compraria e pagaria só pela dentadura por pura birra do ditado; aí eu cavalgaria uma dentadura superfaturada num invólucro de cavalo bem rápido pelo mundo no pocotó, pocotó, pocotó de um samba antigo, cantando em inglês pra que o meu cavalo de herói que agora eu era não me deixasse cantando sozinho mundo a fora.
cruz e souza chora porque é desgraçado; augusto dos anjos porque gosta do som que as lágrimas fazem ao cair. aí eu sou mais do céu.
os casos de uma noite só não servem. não pela efemeridade ou pelo medo da solidão. não servem pelo rombo no orgulho que é inventar uma certeza de que talvez alguém não pense na noite passada no dia seguinte.

domingo, 12 de junho de 2011

esse lirismo desse eu intrometido, que insiste em não sair, estraga tudo. carrega palavras com sentimentos de líquidos que não são sangue, e palavras embriagadas jorram fortes levando uma parte grande demais do todo. e esse pedaço, vomitado um pouco sem querer, dá espaço ao vazio pesado no estômago - o companheiro dos arrependidos e dos envergonhados.