sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
quando complica a ponto de ser o contrário, não deixa de existir o referencial. às vezes deixa de ser o de sempre pra ser o que nunca se imaginou, o que nunca deveria resultar - mas não deveria. o deturpador nunca será assumido e o deturpado, se de bem, nunca terá força para dissimular nenhuma mentira a travestí-la com credulidade. uma fortaleza errada contra uma fraqueza rodeada de todas as razões sempre vence. infelizmente.
domingo, 27 de novembro de 2011
não conseguia entender por que e, por isso mesmo, continuava com os dedos dele dentro da boca. paralisada, chupando os dedos de nós grossos, salgados de suor, empurrando a língua para baixo, empilhando com força as glândulas que salivavam de ansiedade. esfregava com raiva, de um lado para o outro, aquela almofada molhada e crespa. trocaram olhares diferentes: o dele tinha faíscas, o dela não tinha nada; só uma interrogação sem saber o que perguntava.
ficaram ali tempo o bastante pra que ele se satisfizesse, secando os dedos na parte de fora da coxa envolta em jeans frouxo e virando as costas para bater uma porta que não pretendia jamais abrir.
e ela não vai saber de que se tratou aquele ritual, porque ele não vai ligar pra explicar que, enquanto ela falava tudo aquilo que não condizia com nenhum gesto seu, ele pouco escutava - via apenas sair, daquela boca de mal pintada, blocos no lugar das palavras. quadrados, cubos maciços daquele monte de coisa que não precisava mais ser dita - não outra vez.
com a mão na boca dela, ele devolvia cada fardo de discurso vazio. esfregava nas papilas, que antigamente tinham gosto de baunilha, o amargor das palavras que ela articulara.
ele queria que aquele gosto entrasse na língua dela, pra que fosse o último que ela conseguisse sentir: o da própria falta de vergonha na cara.
ficaram ali tempo o bastante pra que ele se satisfizesse, secando os dedos na parte de fora da coxa envolta em jeans frouxo e virando as costas para bater uma porta que não pretendia jamais abrir.
e ela não vai saber de que se tratou aquele ritual, porque ele não vai ligar pra explicar que, enquanto ela falava tudo aquilo que não condizia com nenhum gesto seu, ele pouco escutava - via apenas sair, daquela boca de mal pintada, blocos no lugar das palavras. quadrados, cubos maciços daquele monte de coisa que não precisava mais ser dita - não outra vez.
com a mão na boca dela, ele devolvia cada fardo de discurso vazio. esfregava nas papilas, que antigamente tinham gosto de baunilha, o amargor das palavras que ela articulara.
ele queria que aquele gosto entrasse na língua dela, pra que fosse o último que ela conseguisse sentir: o da própria falta de vergonha na cara.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
barreiras idiomáticas entre o interior e a boca fazem da mudez a não-expressão do monólogo que só o interior entende. são infinitilhões de lábios que não produzem um só som, mas movem vidas inteiras - algumas pela metade e outras aos pedaços. e por isso as reais bocas calam sem consentir: por não entenderem os sussurros que vem de dentro.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
ela era como se fosse um resquício; um início -
mal acabado, como se fosse o coração do par que ama mais que o do lado.
ela era como se fosse si, um mi que não estava - um sol sem dó, sem pena nem nota.
ela era como se fosse um você, um eu que não está aqui - e não vive em mim.
ela era como se fosse tudo, só que ao contrário.
mal acabado, como se fosse o coração do par que ama mais que o do lado.
ela era como se fosse si, um mi que não estava - um sol sem dó, sem pena nem nota.
ela era como se fosse um você, um eu que não está aqui - e não vive em mim.
ela era como se fosse tudo, só que ao contrário.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
erasmo de rotterdam disse "cavalo"
compraria e pagaria só pela dentadura por pura birra do ditado; aí eu cavalgaria uma dentadura superfaturada num invólucro de cavalo bem rápido pelo mundo no pocotó, pocotó, pocotó de um samba antigo, cantando em inglês pra que o meu cavalo de herói que agora eu era não me deixasse cantando sozinho mundo a fora.
compraria e pagaria só pela dentadura por pura birra do ditado; aí eu cavalgaria uma dentadura superfaturada num invólucro de cavalo bem rápido pelo mundo no pocotó, pocotó, pocotó de um samba antigo, cantando em inglês pra que o meu cavalo de herói que agora eu era não me deixasse cantando sozinho mundo a fora.
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