quarta-feira, 20 de outubro de 2010

minhas quedeminhasnadatêm crianças - bangkok

do cabelo bem preto e fino, no alto do mundo e me olhando firme durante o ínterim que meus passos permitiram à nossa história.

a guarita onde trabalhava quem eu decidi ser o pai era a única testemunha além de mim. falava com força, como que manda; apesar da firmeza que eu imagino nas palavras que não ouvi, tinha no rosto um sorriso de quem está no momento por inteiro. dava alguma ordem deliciosa a alguém que eu sei que emudecia do outro lado da linha.


o topo do mundo uma cadeira e o telefone uma banana, mas a firmeza daqueles olhos fincados bem debaixo da franja retinta era de verdade. o gostoso daqueles dentinhos à mostra, então!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

"o apego não quer ir embora. diaxo!, ele tem que querer!"
(maria gadú)

apego.

apegar - pegar!- : é sentimento mas é de posse; e tomar posse sem antes possuir-se de puro bem-querer é perigoso; e puro bem-querer é raro.

a esperança de encontrar na mina do escasso, já abandonada, pelada, uma pepita pequena, olvidada, mas suficiente para justificar a minha posse, levou minhas mãos frustradas a revirar lama e estômagos mineiros: ele engoliu! engoliu o último resquício do meu puro bem-querer!
engoliu e contrabandeou. não digeriu minha pepita, no entanto. meu bem-querer mais puro passou pela língua, escorregou o esôfago, driblou-me no estômago, debateu-se intestinos a baixo e deixou um corpo sem que nada fosse aproveitado dele, nenhuma vitamina.

apossaram-se de mim quando meu bem-querer já era cocô de posseiro; um posseiro que não digeriu, não absorveu, não conheceu nem notou bem-querer puro, tão de verdade.

na verdade, maria, ele não vai querer.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

expectativa. de expectar. expectador espectador: ansioso assistente. espera se vem observando, inerte. pouco peso pesado de quase morte sentado - só sendo -: expectando e morrendo o resto da esperança fina que sobreviveu a tudo o que deu errado.

domingo, 19 de setembro de 2010

arrependimento é o nome do sentimento que tenta me convencer de que vou conseguir enlouquecer os ponteiros do teu relógio para que tu nunca saibas dos meus erros bobos e inconseqüentes, conseqüentes de tonterías e inexperiências, de medos e descrenças; pra que o teu abraço, único a quem esse poder foi dado eu não sei bem como nem por que, me faça esquecer - de mim, daquele mim que fui sabendo que não sou nem nunca quis ser.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

("inútil")


da inutilidade de insistir no erro; da submissão: manhã final sem feliz.


- a tua necessidade do meu inútil me constrange, marcos. para com essa merda de comensalismo, de viver do meu resto. te ergue, homem... te ergue! meu lixo não pode ser capaz de te dar plenitude. me esquece, marcos. morre, marcos: que saco! tá, vive pra lembrar de mim, então, mas me poupa; vá cantar odes à tua estátua da minha sucata longe da minha cama. que tipo de vida, criatura... nadando em chorume jurando que borbulha porque é champagne. acorda, meu bem. acorda, toma teu café e some sem ler o jornal. por favor e obrigada.

- amém.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

vera doou muito querendo não querer nada em troca; o pouco que se permitiu esperar de tudo reduziu-se a nada frustração após a outra.
esperou tanto dando mais ainda até perceber que ser feliz só pelos outros esgota o felizardo altruísta a transformá-lo num grandessíssimo hipócrita meio miserável.

miserável, verinha.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

o tempo tá errado. inexorável é meu cu: o tempo tá todo errado.


a terra numa gosma tenaz, polar, bic, pritt, que não vai nem vem, que não rotaciona nem translada, e já é junho(!!).
as estações desnorteadas riscando eletrocardiogramas de um hemisfério a outro, num zigue-zague pululante de gripe de bichos que eu não sou e dengue, querendo o sossego da certidão - que anda inexistindo.
táque-tique-récorréco-olêleô: o tempo canta o que bem entende e eu procuro, exaurida, pelo tac do meu tic, que nunca deixou de ser o primeiro do compasso. tudo, tudo, tudo fora do lugar.

as peças da minha cabeça quebrada não encaixam e a gosma da terra num esforço homérico, agamenônico e tenaz to put them together falha hercúlea e bonitamente.

se estivesse do avesso era só desvirar, mas esse tempo dá (revira)voltas em mim em spins e meio-spins de quark que eu nunca fui.

entre quark que não fui e bicho que não sou, tô presa no zigue-zague de um coração que não é meu e que me traz sempre só até aqui.



e o tempo táque-tique-recorréco-olêleô...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

(ele disse "salamandra")


para os que acreditam em mim: sol é o plural de salamandrinha em auto-semi-combustão.