segunda-feira, 20 de setembro de 2010

expectativa. de expectar. expectador espectador: ansioso assistente. espera se vem observando, inerte. pouco peso pesado de quase morte sentado - só sendo -: expectando e morrendo o resto da esperança fina que sobreviveu a tudo o que deu errado.

domingo, 19 de setembro de 2010

arrependimento é o nome do sentimento que tenta me convencer de que vou conseguir enlouquecer os ponteiros do teu relógio para que tu nunca saibas dos meus erros bobos e inconseqüentes, conseqüentes de tonterías e inexperiências, de medos e descrenças; pra que o teu abraço, único a quem esse poder foi dado eu não sei bem como nem por que, me faça esquecer - de mim, daquele mim que fui sabendo que não sou nem nunca quis ser.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

("inútil")


da inutilidade de insistir no erro; da submissão: manhã final sem feliz.


- a tua necessidade do meu inútil me constrange, marcos. para com essa merda de comensalismo, de viver do meu resto. te ergue, homem... te ergue! meu lixo não pode ser capaz de te dar plenitude. me esquece, marcos. morre, marcos: que saco! tá, vive pra lembrar de mim, então, mas me poupa; vá cantar odes à tua estátua da minha sucata longe da minha cama. que tipo de vida, criatura... nadando em chorume jurando que borbulha porque é champagne. acorda, meu bem. acorda, toma teu café e some sem ler o jornal. por favor e obrigada.

- amém.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

vera doou muito querendo não querer nada em troca; o pouco que se permitiu esperar de tudo reduziu-se a nada frustração após a outra.
esperou tanto dando mais ainda até perceber que ser feliz só pelos outros esgota o felizardo altruísta a transformá-lo num grandessíssimo hipócrita meio miserável.

miserável, verinha.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

o tempo tá errado. inexorável é meu cu: o tempo tá todo errado.


a terra numa gosma tenaz, polar, bic, pritt, que não vai nem vem, que não rotaciona nem translada, e já é junho(!!).
as estações desnorteadas riscando eletrocardiogramas de um hemisfério a outro, num zigue-zague pululante de gripe de bichos que eu não sou e dengue, querendo o sossego da certidão - que anda inexistindo.
táque-tique-récorréco-olêleô: o tempo canta o que bem entende e eu procuro, exaurida, pelo tac do meu tic, que nunca deixou de ser o primeiro do compasso. tudo, tudo, tudo fora do lugar.

as peças da minha cabeça quebrada não encaixam e a gosma da terra num esforço homérico, agamenônico e tenaz to put them together falha hercúlea e bonitamente.

se estivesse do avesso era só desvirar, mas esse tempo dá (revira)voltas em mim em spins e meio-spins de quark que eu nunca fui.

entre quark que não fui e bicho que não sou, tô presa no zigue-zague de um coração que não é meu e que me traz sempre só até aqui.



e o tempo táque-tique-recorréco-olêleô...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

(ele disse "salamandra")


para os que acreditam em mim: sol é o plural de salamandrinha em auto-semi-combustão.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

ele não era uma boa companhia hoje.

tem dias que o lado liso do edredon tem que ficar pra cima com uma força bem maior.

ele hoje era a estampa colorida e bem estampadinha.
in-su-u-u-u-u-u-por-tá-vel.
nunca dava pra saber quando ele ia estampar a cara na minha, bem estampadinha & insuportável. ele insuportado orgulhoso e tripudiante estampando minha cara com uma feição de insuportante in-su-u-por-tá-vel. até que de tanto olhar pro floral de impaciência da minha sempre tão própria cara, me deito pra dormir com o edredon virado com o lado li-so pra cima simplesmente insuportando.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

minhas quedeminhasnadatêm -quase- crianças IV
(digo quase porque o lúdico infantil mora na retrogricidade* do cérebro, não no documento)


a primeira do lado de dentro, respirando o ar do meu redor. não me encantou pela beleza do brilho do olhar, tímido por detrás das disformes pálpebras, nem por qualquer clichê conquistador e nem comunicou-se comigo de qualquer maneira. eu é que me comuniquei com ela.


meio quasímoda, impaciente e sozinha pelo corredor, mas e cadê a rodoviária? não vamos? vamos, sim, já estamos chegando...hum, tá.

acomodada novamente no assento que já contava eu ser o terceiro ou o quarto a ocupar a inquieta, cantarolou um nhénhénhé qualquer que me tirou irritada - como tudo que me interrompe a leitura - do meu livro. mordi o rabo ao som do nhénhénhé até me dar por conta de quem nhénhénhéava e por ser ela desirritei, beijei o rabo, fechei o livro.
dancei o nhénhénhé até que a vinte de setembro transformou-se numa montanha-russa escorregadia de chuvisco do meio do outono.

uhuuuuullll!! na esquina em que os que sentem um friozinho na barriga desaproveitam-no em silêncio.


permaneci muda, jurando honrar com um uhuuuull! aquele pedacinho de asfalto divertido na próxima vez.


* retrogricidade vai pro meu coração, bem do ladinho de relapsidão, no topo do rol das palavras que deveriam existir pra todo mundo e não só pra mim.